Título: A Rainha Vermelha - #1
Autora: Victoria Aveyard
Páginas: 422
Editora: Seguinte
Classificação: 5/5

Em A Rainha Vermelha, temos um mundo distópico no qual a sociedade é dividida de acordo com dois tipos de sangues: o vermelho e o prateado. Os vermelhos são os pobres e humildes, enquanto os prateados são ricos e possuem algo que os outros não tem: um poder especial.

Nós conhecemos a Mare Barrow, que é uma vermelha e se arrisca pela cidade furtando que pode para a sua família ter o que comer. Ela tem 17 anos e ao completar 18, os jovens que não possuem emprego tem que ir para a guerra, como a nossa personagem não possui um trabalho, ela já sabe o que a espera. Até que certo dia, ela encontra Cal, que a ajuda dando dinheiro. E o que ela não esperava é que ele fosse um Príncipe. Que além de ajudá-la com dinheiro, ele consegue arranjar um emprego para Mare no palácio real e é lá onde a nossa protagonista vai descobrir que ela é mais especial do que parecia ser.

Aveyard trouxe uma obra que conseguiu me prender muito, ela possui uma escrita bem fluida e rápida, o que faz com que o leitor devore o livro.

Acabei odiando alguns personagens no decorrer da obra, mas isso não me impediu de querer chegar logo no final para saber o desfecho. E quando terminei: EU PRECISO DA CONTINUAÇÃO!
Observei que muitos não gostaram do livro por acabar mostrando ter influências (ou não) de outras distopias, e acho meio impossível não fazer algumas assimilações durante a leitura, contudo isso não me incomodou e acabei gostando bastante da trama. Não sei se isso aconteceu porque não fui com tantas expectativas, mas o livro funcionou para mim.

Apesar de ter alguns acontecimentos que já eram de se esperar, Victoria consegue trazer uma reviravolta no final que surpreendeu um pouco.

Só digo uma coisa: Não confie em ninguém!
 "Todo mundo pode trair todo mundo"
Como dito anteriormente, alguns leitores podem ter o problema com a originalidade dele, mas nada que o impeça de possuir uma leitura rápida e dinâmica. Por conta disso, acabo recomendando muito a obra.

Esse é o primeiro livro de uma saga que por enquanto possui três livos, mais dois contos e um livro quarto livro que será lançado ano que vem. Os contos foram publicado em um único livro chamado "Coroa Cruel" e as histórias se passam antes dos acontecimentos de A Rainha Vermelha.

A obra vai ganhar uma adaptação cinematográfica e terá Elizabeth Banks (Effie de Jogos Vorazes) na direção, mas ainda não se tem uma confirmação de elenco, nem de data de lançamento do filme.


Título: O Conto da Aia (The Handmaid's Tale)
Autora: Margaret Atwood
Páginas: 368
Editora: Rocco
Classificação: 4/5

O Conto da Aia foi escrito em 1985 e se trata de um mundo distópico, no qual o número de mulheres férteis é quase extinto e consequentemente a taxa de natalidade ao redor da terra está crítico. O que torna essas mulheres muito preciosas nessa sociedade. Ambientada em um Estado totalitário e extremista as mulheres são vítimas de opressão, tornam-se propriedade do governo e são obrigadas a morar com um casal e servem somente para a procriação.

Acompanhamos na trama a vida de Offred, que na verdade tem outro nome, contudo é proibido usar seu nome antigo. Vemos como é o seu dia-a-dia, na casa onde ela serve à família do Comandante e esperam que ela dê um filho à eles. Podem ter tentado tirar tudo da personagem, mas algo que não se podem tirar de ninguém: o poder de calar a mente e as reflexões de um indivíduo.
"Se for uma história que estou contando, então tenho o controle sobre o final. Então haverá um final, para a história, e a vida real virá depois dele. Podere recomeçar onde interrompi. Isso não é uma história que estou contando. É também uma história que estou contando, em minha cabeça, à medida que avanço. Conto, em vez de escrever, porque não tenho nada com que escrever e, de todo modo, escrever é proibido. Mas se for uma história, mesmo em minha cabeça, devo estar contando-a a alguém. Você não conta uma história apenas para si mesma. Sempre existe alguma outra pessoa. Mesmo quando não há ninguém."

O livro traz flashes do passado e do presente o que me deixou um pouco confusa até pegar o ritmo da leitura.

"É estranho lembrar como costumávamos pensar, como se tudo estivesse disponível para nós, como se não houvesse quaisquer contingências, quaisquer limites; como se fossemos livres para moldar e remoldar para sempre os perímetros sempre em expansão de nossas vidas."

A autora nos mostra uma sociedade machista, não tem a censura de nos mostrar o que acontece com quem não segue o que o governo impõe e devo dizer que o que mais assusta é pensar em diversos pontos que são vistos acontecendo atualmente ao redor do mundo, como a homossexualidade criminalizada em alguns países, por exemplo. Mesmo se tratando de um livro antigo nos faz questionar em vários momentos, nos quais podem ser vistos na nossa sociedade.

"Não permita que os bastardos reduzam você a cinzas."

Um único ponto que deixou a desejar foi o final que ficou em aberto, e deixa o leitor louco para saber o que ocorreria após os últimos acontecimentos.

Margaret conseguiu criar uma trama que prende o leitor do começo ao fim e recomendo para todos, tanto o livro quanto a série. A forma como Atwood criou esse universo só me deixou mais curiosa ainda para conhecer as outras obras dela.

Esse ano, a obra ganhou uma série pelo sistema de streaming Hulu, e recebeu várias indicações ao emmy. Além de já possuir uma segunda temporada programada para estrear ano que vem. Conta com uma fotografia incrível e atuações exemplares. Com certeza a melhor estreia do ano, na minha opnião.

Falando sobre séries, outra obra da autora ganhará uma série, publicado como Vulgo Grace no Brasil também pela editora Rocco, será lançada com seu título original, "Alias Grace" ainda esse ano na Netflix.


Partials 

A raça humana está quase extinta após a guerra contra os Partials - seres criados em laboratório por humanos para serem um exército e acabaram se voltando contra os seus criadores. Eles liberaram um vírus chamado RM, que somente uma pequena parte da população é imune. Os sobreviventes da América do Norte se reuniram em Long Island ao mesmo tempo que os Partials se retiraram da guerra misteriosamente.

11 anos se passaram desde a guerra e a última aparição dos Partials.
Kira é uma médica em treinamento que todos os dias vê bebês morrendo após o nascimento por não serem imunes ao RM. Todos esses anos se passaram e ninguém conseguiu descobrir a cura para o vírus.
Determinada em tentar encontrar a cura, Kira irá descobrir que a sobrevivência e o futuro da humanidade depende muito mais dos Partials do que todos pensam. Uma ligação entre as duas espécies que pode ter sido esquecida ou que nem ao menos tenha sido descoberta.




Partials e os humanos terão que trabalhar juntos, mas como será possível quando um vê o outro como uma ameaça e um inimigo? Kira precisará ir contra as autoridades para chegar ao seu objetivo e contará com ajuda de amigos. Será que vai valer a pena virar a "criminosa" mais procurada?

Cheio de mistérios e teorias, Partials tem uma história totalmente envolvente do começo ao fim. Não pensava que fosse gostar tanto da leitura, me surpreendeu totalmente o rumo que a história foi tomando e não teve como não devorá-lo. É daqueles livros em que você não sabe em quem confiar e em quais informações são reais ou invenções. E até onde as informações passadas pelo governo são confiáveis? Por onde andaram os Partials durante todo esse tempo?

O primeiro livro de uma trilogia, consegue deixar o leitor louco pela continuação, com um final surpreendente e com muitas pontas soltas para serem aprofundadas no próximo livro. Quem é fã de distopias com certeza vai adorar!

Partials foi publicado pela Editora ID, que também publicou o segundo livro, Fragmentos, mas recentemente a Editora "fechou", então não teremos o último livro lançado aqui a não ser que outra editora compre os direitos. O que é triste, pois a ID deixou várias séries de livros inacabadas. Torcemos para que outras editoras vejam esses livros e dêem continuidade nas publicações das séries/sagas.